Paridade Já desperta mulheres aos espaços políticos

É quando temos oportunidade de escolher nomes em locais que são instâncias de influência política, que podemos valorizar com efeito prático, pessoas dignas com trajetória de luta em favor da justiça e da democracia e, dessa maneira, irmos elegendo melhor e assim mudando nossa sociedade.

Por Sirley Azevedo em 31/08/2021 às 18:14:11

É sempre oportuno o reconhecimento devido às mulheres de destaque, especialmente quando encarnam lutas que podem ser muito melhor legitimadas, caso essas mulheres sejam alçadas aos lugares de decisão e comando. Advogadas, professoras, médicas, administradoras, jornalistas, empresárias, donas de casa: precisamos olhar diferente para o nossas escolhas dos dirigentes de nossas associações, entidades de casse, escolas e quaisquer outros espaços de poder.

É quando temos oportunidade de escolher nomes em locais que são instâncias de influência política, que podemos valorizar com efeito prático, pessoas dignas com trajetória de luta em favor da justiça e da democracia e, dessa maneira, irmos elegendo melhor e assim mudando nossa sociedade.

Como advogada, não posso me furtar à eleição próxima da OAB-GO, no papel de opinar e alertar as colegas advogadas goianas para a importância especial desse pleito. Temos um nome que devemos olhar com atenção, pois espelha o perfil de alguém com uma carreira sólida, coesa, brilhante que nos mobilizou em inúmeras defesas da democracia e da justiça. Que ajudou a formar advogados com lisura e consciência social, que sempre lutou pelo reconhecimento das mulheres e pela inclusão das minorias.

Valentina Jugmann resume em sua trajetória a voz e a ação de tornar efetivos os direitos individuais e coletivos. Como conselheira federal da Ordem, ela levou a cabo um projeto inovador na luta das mulheres pela real representação política. O Paridade Já é um orgulho da nossa advocacia. Ele definiu já para as próximas eleições 50% de presença feminina, em cargos titulares e suplentes, nas chapas concorrentes, como condição para o respectivo registro.

A base para esse avanço que vai além das cotas de 30% é de uma lucidez incrível, que nos faz admirar ainda mais o espírito sensato e coerente de Valentina Jungmann: a nossa Constituição reza que homens e mulheres são iguais perante a lei. Iguais. Então é 50%. É paridade. Com os meios permitidos pelas circunstâncias, demonstrou que a paridade é o correto. É o justo numa sociedade que busca justiça.

Agora, ela se tornou a primeira mulher candidata a presidência da Ordem, em 80 anos de existência. Pasmem! Essa demora em que uma mulher do nível intelectual e político de Valentina chegue, enfim, a essa disputa, fala a cada uma de nós de quão longe estamos de consolidar as políticas afirmativas nesse país.

Conclamo todas as advogadas e advogados de Goiás e do entorno do Distrito Federal, onde atuo, a perceberem que esse é o momento de quebrarmos paradigmas na OAB de nosso estado, a fim de avançarmos numa inclusão de verdade na vida da entidade, visto que esse projeto anda de mãos dadas com o de inclusão racial e LGTBQIA+. E mais que isso: é uma inspiração para que o Brasil também aplique Paridade Já.

Não podemos esquecer que a Ordem precisa cumprir seu papel de exemplo para a sociedade brasileira, receptáculo de suas demandas, mas também, reflexo dos valores basilares que devem nortear nosso estado, nossa nação. Valentina Jungmann encarna a luta de todas nós, num momento que precisamos, mais que nunca de referência moral e ética na vida pública e, como mulheres, aceitar o desafio de ocupar espaços políticos sejam partidários ou de classe.


Sirley Azevedo

Presidente do PSL de Valparaiso de Goiás